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quarta-feira, 6 de abril de 2011

O CASTIGO CHEGA A CAVALO (DA ESCUTAS):

Leiam mais na edição impressa. A Relação, apesar das escutas algo evidentes , do género " abre o depósito", "queima agora"e "o autocarro já está a arder", considerou  não haver, como é que se chama...nexo de causalidade.
Estou certo de que a norte há muita gente feliz com esta consistência interpretativa.

terça-feira, 5 de abril de 2011

segunda-feira, 4 de abril de 2011

COMOÇÃO:

É assim que o SLB agradece o enorme fair play, a gentileza,  diria mesmo mais, a politesse  do Dragão? Eles, que nem ousam, por respeito,  escrever o nome do Benfica  no placard  electrónico e cantam  a plenos pulmões o nosso nome, e o  das nossas mães,  em todo os  jogos da Liga, da Taça,  da Liga Europa? Que vergonha benfiquista. Estou certo de que se fosse ao contrário manteriam as luzes acesas, até para melhor nos oferecerem as bolas de golfe.
Como é que há uns mais bem educados  do que outros, é coisa que me ultrapassa.
A CADA POBRE O SEU RICO:

Do Cardoso Pires, que não tem sido assediado pelas procelárias da cultura. Ainda bem para ele. 
E quando lhe disseram  que mais valia  um rico na mão que dois pobres a voar, o Imperador disse que era falso porque os pobres não voam. Ainda assim, os dê-erres não admitiam trocas de pobres: cada um com o seu,  como tinha mandado o sorteio.
Agora, como no tempo da República dos Corvos, cada jornalista trata do seu político.
HIGH RISE:

O  Titanic, as narrativas, os  falsos  consensos, a culpa, a austeridade, a salvação nacional, o FMI. Desapareceram  a esperança e o futuro. Devem estar a recuperar o fôlego, depois de tanta  utilização nos últimos anos.
Não é mau. No livro de Ballard,  os habitantes do enorme prédio, por sectores e com alguma ordem, vão aproveitando os  restos, bebem,  divertem-se e matam-se. A aniquilação radical  também dispensa  a choraminguice da esperança e do futuro. É nisso que o livro é suave: não há fim, só houve início.
Viveremos  o suficiente  para emporcalhar  as piscinas da gente rica?



segunda-feira, 28 de março de 2011

PARECE QUE SIM:

Que Mau-Mau será publicado. Vamos ver. Estou curioso para saber  a reacção das  pessoas  a um livro diferente. Não creio que seja arrumado na prateleira da literatura de aeroporto, mas também não me parece que venha sequer a ser considerado literatura. Não carrega profundas descrições tipológicas, muito menos penetrantes reflexões  filosóficas.
É uma história simples, mas julgo que vai agarrar o leitor que entre  na táctica. Então para quê publicar o livro? Porque é contra a esperança, salvo se esta vier com um prato de favas novas. E tenras.

quinta-feira, 24 de março de 2011

FUTEBOL KIKUYU (III):

Augustine Omondi jogou   (  entre  1985 e 2001)  toda  a vida no Chemelil Sugar FC, pertencente à Chemelil Sugar Company, no Nyando. Vivia em Kisumu ( era ajudante de mecânico)  e fazia todos os dias um total de 100 quilómetros. O clube da empresa oferecia boas condições, mas Augustine  não sabia isso. Não lia jornais, não via televisão ( pelo menos programas desportivos como os europeus), não viajava. O seu prazer  era ficar lá na ponta direita, receber na passada as bolas altas que  os companheiros lhe punham à frente, correr desalmado para a linha de fundo e centrar. Fazia lembrar o Padinha, esse extremo-direito lançado pelo Lajos Baroti ( ou pelo Eriksson, já não me lembro bem), que se especializou também  num único movimento.
Augustine era daqueles homens tão simples, que nunca estão verdadeiramente alegres nem zangados. Comia o que havia  - primeiro em casa da mãe, depois em casa de Aleta, companheira que lhe deu três filhos-, bebia o que lhe davam, fazia o que tinha de fazer. Estava sempre tudo kabisa msuri ( absolutamente bem). Não tinha muitos amigos porque não era de disputas.
No ano passado, soube que Augustine estava doente de coisa  ruim. Não entendi  tudo, talvez uma infecção mal tratada, um foco pneumónico que  deu para  o torto. Imagino-o sozinho, no pequeno hospital em Kisumu. Sempre sereno,  educado e paciente.
Quem diz que vemos a força?
A TODOS:

Os que linkaram este Mau-Mau, o meu asante ( obrigado) , é o que vos digo kwa furama ( com satisfação). São tantos que  vai sem links: O Eduardo Pitta, o Luís  M. Jorge, o Cahimbo de Magritte, Os Comediantes, o Espectador Interessado,  o Pedro Rolo Duarte, a Isabel Prata, O Luís Januário, o Delito de Opinião ( o Pedro Correia e a Laura Ramos) , O Angulo Morto, O Albergue Espanhol ( Luís Naves).

( em actualização)

terça-feira, 22 de março de 2011

NESTA ALTURA DO CAMPEONATO:

Estive  a rever o terceiro golo de ontem, do Gaitán:  a melhor jogada colectiva  da Liga. Uma das coisas que me tem enternecido é constatar a raiva da tropa de choque ( os Mau-Mau atacavam de frente, mas esse eram valentes e estes são iguais  ao calhaus que atiram emboscados)  do FCP , sempre impune, nesta altura do campeonato.
Eles  estão à frente, o melhor futebol é nosso.  E não há nada a fazer.
 FUTEBOL KIKUYU (II):

Freddy Odhiambo nunca soube fintar. Quando jogava na rua, em Thika,  40 km  a nordeste de Nairobi, o seu pensamento  era colonial. O seu tio ,  não era bem tio, era um dos amantes da sua mãe  - prostituta nas horas que  os oito  filhos lhe deixavam vagas - contava-lhe antigas histórias de caça dos homens brancos   nas margens do rio Thika  ( que faz parte da bacia do Lago  Tana) e também mais  para oeste,  no lago Naivasha ( de Nai'posha, águas selvagens). Aí caçou um branco chamado Black, Alan Lindsey Black. Este caçador branco tinha nome de negro e caçou leões com um rancheiro, e também caçador, Paul Rainey, dono de milhares de cabeças de gado  no Falcon Glen, nas margens do lago. Black caçava com cães , o que levou  a que um oficial inglês , encarregado das licenças de caça, tivesse relatado para Londres:  Foi quem matou mais leões este ano ( 1911), mas não é certo que o seu método seja desportivo.
Odhiambo conseguiu  chegar à primeira  equipa do Thika United em 1989. Tinha então 19 anos. Como não sabia fintar e andava   sempre com  fotocópias velhas e  amarfanhadas de livros  de histórias de white-hunters, não teve vida fácil junto do seus companheiros. Odhiambo gostava de jogar a trinco e via os médios  adversários como os  cães de Black. Ele era o leão  que não sabia fintar. Ainda assim, acabou por conquistar um lugar na equipa, mas os seus camaradas  nunca o convidaram  para as bebedeiras de changaa  nos bares da Kiambu Road.
Odhiambo  tem hoje 41 anos e trabalha na construção civil. Não tem mulher e prefere as prostitutas ugandesas  de Nairobi, onde vai uma vez por mês.
"SUPORTANDO O INSUPORTÁVEL".
FUTEBOL KIKUYU (I):

Kabungi M'Twelle, defesa central, jogou nos Obi  Rollers entre 1997 e 2005. Não era muito alto, mas tinha a força de  um Nietzsche quase enfurecido. Diz-se que o avô foi pisteiro de Sir Alfred Pease, autor do  fabuloso The Book of the Lion e que chegou a dirigir safaris de leões  para Roosevelt. Não se sabe ao certo, mas a verdade é que a M´Twelle ninguém atirava bolas de golfe. Uma vez, num jogo particular, em Mandera, na fronteira com a Somália, atiraram-lhe duas laranjas. M'Twelle esperou que o jogo acabasse e dirgiu-se à pequena  bancada em madeira  com as laranjas sangradas apenas  numa das grossas manápulas. Fitou os rufias e disse que as queria  a devolver , mas não sabia quem era o dono. Os canalhas meteram o rabo entre as pernas e alçaram a trote desordenado como gnus.
Depois de reformado, ficou infectado com o  HIV e em 2008 contraiu SIDA. Vive agora  nos arredores  de Nairobi em casa de uma irmã freira e vê os jogos do campeonato inglês num canal chinês.