METAPOLÍTICA (IV):
Graças a Sócrates, ficámos a saber que para o Bloco o problema de Portugal é a burguesia.
Estas conversas sabem-me bem. Como dizia o mestre Bioy Casares ( vai ter uma antena aqui no Mau-Mau para compensar o lusitano desprezo a que é votado ) , a intimidade é comentar o mundo.
Pequena novela de oitenta páginas, em ritmo acelerado, que será publicada em Junho, na Quetzal.
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quarta-feira, 11 de maio de 2011
METAPOLÍTICA (III):
Sócrates é sério. Nos debates, exceptuando PCP E BE, que, se o país estivesse sentado em cima de um lençol de petróleo continuariam a afivelar o ar de vítimas da fome, Sócrates é o único que exibe uma linguagem corporal comprometida. Portas ri-se muito, parece estar num chá de tias; Passos sorri-se muito, parece estar no alfaiate.
terça-feira, 10 de maio de 2011
METAPOLÍTICA (II):
Droit au but, porque é assunto de claques.
Por exemplo, nos blogues: os apoiantes de Passos Coelho dirão sempre que ele ganhou os debates, os apoiantes de Sócrates dirão sempre que ele ganhou os debates. Aconteça o que acontecer.
No outro lado. Quando Carrilho fulmina Sócrates ( sim, marcação ao homem), é um corajoso independente; quando Santana Lopes bica o PSD, é um idiota útil.
É tudo tão estúpido que chega a ser perfeito.
METAPOLÍTICA (I):
Quando vemos dois partidos que nutriram as gorduras do Estado, que as empregaram como capital político e que as encararam como um lugar de trânsito para mercadorias avariadas ( o Soren não se importa que use a sua fórmula), prometer que as vão retalhar, um cidadão sente-se, por momentos, um ser superior.
SAFARILAND (I):
George Six. Conheço a história de muitas personagens do mundo dos white-hunters do século passsado e a de George Six é uma das melhores *. Saiu de Londres como médico e foi para a Tanganica ( actual Tanzânia), provavelmente em 1951 ou 1923, com a intenção de se tornar agricultor. Abriu uma loja de armas em Arusha e comprou uma herdade em Kiru Valley. Infelizmente, a tripassonomíase ( tse-tse) infestava a região e , em vez de gado, a terra fervilhava de búfalos , elefantes e rinocerontes. Num ápice tornou-se amigo de famosos caçadores como Stan Lawrence e Jacky Hamman e aprendeu a caçar. Tão depressa retirava um apêndice como consertava um motor diesel ou dizia o nome científico de um peixe.
Six falava inglês, francês, swahili, espanhol e alemão ( tinha sido criado e viajado por uma família ligada às artes e ao cinema). Em 1956, recebeu em Arusha a amiga Leni Riefensthal, que queria fazer um documentário sobre ao comércio de escravos na África Oriental ( o Scharwz Fracht ou Black Cargo) . É normal os glorificadores de exterminadores de judeus terem esta ternura por outro povos. Numa das deslocações, tiveram um acidente de jipe em Garissa Bridge, nas margens do Lago Tana. Leni ficou ferida, foi recuperar à Alemanha e regressou para acabar o filme. Mais tarde, o socialismo tanazaniano nacionalizou as grandes herdades e a de Six ficou ao abandono. Ainda assim, aceitou um convite do governo para desenhar aldeamentos turístico-cinegéticos no Serengeti. Foi viver para Dar es Salaam e casou outra vez, desta feita com uma americana de origem irlandesa. Em 1980, não aguentou o novo fôlego marxista tanzaniano e emigrou para os EUA, onde acabou os dias a projectar jardins aquáticos em Raleigh, Carolina do Norte.
* com a ajuda inestimável de Brian Herne.
domingo, 8 de maio de 2011
COZINHA (VII):
Vejo com satisfação o reconhecimento publicitário do pescado português. José Bento dos Santos lançou a campanha, outros se seguirão. Talvez os pseudo-mestres , os da sensação de ovo escalfado com risotto de salmão aprendam alguma coisa. A forma como é tratado o peixe da costa nos botequins da maioria dos wannabes faz-me sempre lembrar a Carne com Batatas à Almeida das Pêtas. Os Makavenkos gozavam com a famosa receita de Francisco de Almeida, que mais não era do que ...carne com batatas.
O camarão da costa, por exemplo, já não faz rissóis. Já provaram um arroz de camarão da costa? Pois não sabem o que perdem. A preguiça e a ignorância afastaram estes dois aproveitamentos. Dão muito trabalho.
O robalo ( a maior parte das vezes ressequido e apimentado), os omnipresentes e enfadonhos filetes de peixe-galo, o atum-do Mediterrâneo apenas corado, Já um arroz de sardinha, o carolino derretido na cebola e nos pimentos, sustentando as lindas decepadas e escaladas - fica mal em mesa de patos-bravos.
Nem sempre a tradição. Muitos percebes, percebem? Tantos, que não se lembram de os juntar num gaspacho sem tomate, apenas o caldo coado e arrefecido da fervura dos capítulos ( a unha) , acomodando os orgãos reprodutores femininos segados. O conjunto é perfumado com um dente de alho e, se me permitem, um cheirinho de rosmaninho cuja secura combina bem com as cornucópias rochosas. Serve com tostas azeitadas de pão de Vila do Bispo.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
FÉNIX:
Nunca desesperar, nunca renegar. Nas paixões temos de ser racionais. Precisamos mais delas do que elas de nós.
Cheguei à garagem já estava nos descontos. Vou no elevador e imagino ouvir um gooooooooolo sumido mas persistente. Um vizinho benfiquista, talvez a ver o jogo com o filho e com o rádio aos berros. O elevador parou e fez- se silêncio. Baixei a cabeça e procurei as chaves de casa. Nem por um momento me passou pela cabeça que o golo, afinal um silvo do elevador, pudesse ser do Braga. Isto é a paixão.
Cheguei à garagem já estava nos descontos. Vou no elevador e imagino ouvir um gooooooooolo sumido mas persistente. Um vizinho benfiquista, talvez a ver o jogo com o filho e com o rádio aos berros. O elevador parou e fez- se silêncio. Baixei a cabeça e procurei as chaves de casa. Nem por um momento me passou pela cabeça que o golo, afinal um silvo do elevador, pudesse ser do Braga. Isto é a paixão.
O que imagino a frio é um futuro. Se desprezarmos o poder do adversário, acabamos a ferros; se ignorarmos o que somos, não passamos de carrascos. Repito-me:
1) Um presidente do Benfica. Nascido e criado no Benfica e não em casa de presidentes de terceiros. Um presidente que saiba pensar, falar e articular ideias. Pessoas inteligentes tomam frequentemente boas decisões.
Para fazer de caixeiro-viajante e negociar com a banca, há muitos profissionais disponíveis.
Para fazer de caixeiro-viajante e negociar com a banca, há muitos profissionais disponíveis.
2) Um presidente brutal. Defender o clube significa por vezes ter de engolir o orgulho, dar o braço a torcer, recuar. Não se gere o Benfica como uma oficina de pneus. A bem dizer, não se gere o Benfica: defende-se o Benfica. O clube não existe para alimentar a fome de prestígio ou o sentimento de inferioridade social.
Um presidente assim tenderá a rodear-se de pessoas que o afrontarão se ele puser em causa o Benfica. São os melhores tenentes e não são papagaios que dão palpites para os jornais à primeira contrariedade.
Um presidente assim tenderá a rodear-se de pessoas que o afrontarão se ele puser em causa o Benfica. São os melhores tenentes e não são papagaios que dão palpites para os jornais à primeira contrariedade.
3) Uma equipa técnica de benfiquistas. No situação actual do clube tem de ser assim. Principal qualidade a seguir ao benfiquismo: saber liderar. Não me digam que não encontram ninguém.
Isto é crucial porque não podemos voltar a ter um treinador brilhante, mas que põe a sua carreira e conta bancária à frente do Benfica.
4) Os pontos 1, 2 e 3 são requisitos fáceis de preencher. Basta encontrar um presidente e uma equipa técnica que saibam que não vão ganhar nada para o ano e que se estejam nas tintas para isso.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
SANTOS, CAVALOS & FRANGOS:
1) Este senhor, que, se não estou em erro, arbitrou o jogo ( particular, notem)de festa de despedida do velho estádio das Antas e que foi acusado pela infame direcção do dr. Ricardo Costa e depois absolvido pela nossa eficaz máquina judicial, voltou a ser apanhado.
2) O jornal do FCP ( e, res extensa, do Braga) titulava ontem a opinião do especialista em direito deportivo, o dr. Meirim, segundo a qual um envelope enfiado debaixo da porta do árbitro não é coacção, porque fotografias não são coacção. Claro, a cabeça de cavalo enfiada debaixo do lençóis também não continha qualquer ameaça ( excepto para os cavalos). Arquive-se.
3) Hoje vamos ao Braga, clube que afinal "sabe receber os adversários" segundo o sr. Salvador ( as maravilhas que uma organização internacional de futebol desencadeia). E vamos com um frango a número 1.
A couraça, adquirida nestas e noutras lides, é dura, mas há uma coisa , uma única coisa que me tem conseguido irritar a ponto de não apreciar a açorda de bacalhau: uma época inteira a tentarem negar a evidência.
Se até nisto julgam possível tomar os benfiquistas como imbecis, o que não conseguirão em outros assuntos longe dos holofotes?
quarta-feira, 4 de maio de 2011
PASCOAES E A SITUAÇÃO:
Somos tremendistas ou somos o que somos? Em Outubro de 1908, de Amarante, escrevia ele a Unamuno:
(...) N'este momento, Portugal é um mysterio. É impossível a gente calcular o que virá a ser d'elle. É uma Patria que a noite envolve, entregue aos morcegos e às aves agoureiras. Aqui, não se vê um palmo adeante do nariz; é tudo confusão e sombra."
terça-feira, 3 de maio de 2011
UMA ESQUECIDA:
Está viva mas pouco lhe ligam. Maria Alberta Menéres. Prolixa em literatura infantil ( dezenas de títulos) e organizadora ( com Ernesto de Melo e Castro) das Antologias ( da novíssima poesia portuguesa) nos anos 50, 60 e 70. Traduziu Perrault ( não sei se é a edição que tenho, está perdida no meio da confusão da mudança de casa) e adaptou Fernão Mendes Pinto para a linguagem actual. É descrita como compagnon de route do surrealismo ( colaborou com Cesariny), mas deixo isso para os críticos. Tem coisas enfadonhas e banais ( abusa de árvores, náufragos, incêndios e outras pestilências) , coisas justas ( quase todo Os Mosquitos de Suburna) e outras muito boas. Como esta:
E uma letra início de tormenta
ou palavra destino de viagem.
E não chegamos nunca ao rosa-mar
nem esta solidão chega a ser vício.
( O Robot Sensível, 1961)
domingo, 1 de maio de 2011
Frango de Roberto no Olhanense 1 - Benfica 1 Jornada 28 01/05/11
Um dia, esta gente, que o contratou, mas sobretudo que o põe ( e manda pôr) a jogar, há-de ser julgada em tribunal.
Não lhes bastou dar nove pontos de avanço ao Porto logo no início da Liga, não lhes bastou semear ofertas em várias competições, não lhes bastou desmoralizar uma equipa.
Querem mais, os traidores.
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